abr 272013
 

Matéria e fotos: Rodrigo de Aguiar.

rodrigo@papareianews.com

Tudo começou em 1985 na cidade de Tenente Portela com o surgimento do palhaço Bebé para o público infantil.

Quem diariamente passa pela Avenida Buarque de Macedo certamente já notou a presença de uma estrutura montada ao lado do Sindicato dos Vigilantes, trata-se de mais uma temporada do Tcheatro do Bebé que após cinco anos está de volta a Rio Grande trazendo todo o humor e alegria do senhor José Ricardo Benvenuto de Almeida ou, simplesmente, Bebé.

No último final de semana estivemos conhecendo a equipe, estrutura e claro o responsável por tudo isso que nos contou a história de criação da trupe e mostrou como é a vida de quem vive da arte mambembe.

Logo na entrada o visitante é recebido com a seguinte frase “No mínimo você dará boas gargalhadas”, e em cada espetáculo o artista utiliza pontos da cidade como referência de suas esquetes e faz jus a mensagem, se tornando impossível não rir, deixando de lado os problemas enfrentados no dia-a-dia pelos expectadores.

O início dessa trajetória começa em 1985 na cidade de Tenente Portela, quando surgiu para as crianças o palhaço Bebé, que animava matinês e realizava a publicidade de eventos locais também voltados ao público infantil. Com o passar dos anos e com o desenvolvimento do gosto pela arte houve a necessidade de sustentar a família, José Ricardo casou cedo e por conta disso muitos papeis e personagens não puderam ser interpretados fazendo com que ele buscasse de outra forma aumentar o rendimento, foi ai que começou a pintar cenários e auxiliar na manutenção e ornamentação das peças teatrais.

As histórias hoje interpretadas são exatamente o oposto do inicio da carreira, anteriormente eram apresentadas esquetes religiosas e de época, sessões que demandavam um maior cuidado e participação da comunidade onde estavam inseridos, muitas delas, inclusive, contribuíam com a decoração, doando vasos e outros componentes.

A relação com o público adulto e a realização dos espetáculos a noite teve sua estreia na cidade de São José do Norte, município que durante a conversa Bebé revelou ter interesse em voltar e de realizar uma temporada. Os moradores da vizinha cidade diariamente atravessam o canal e acompanham as peças em Rio Grande, demonstrando também um grande carinho pelo artista.

A primeira vinda para Rio Grande aconteceu em 1991 no Cassino. Com a semente do trabalho lançada na praia a lona foi montada na cidade na Rua Aquidaban, e para a surpresa de todos ao final da temporada e da última apresentação Bebé foi extremamente aplaudido e elogiado, muitas pessoas choravam e lamentavam despedida que, para ele, foi algo jamais visto. José Ricardo destacou ainda a força do povo Riograndino, ele lembrou que em duas oportunidades em que perdeu a lona em virtude de catástrofes climáticas reergueu-se pessoalmente e profissionalmente aqui, tendo a cidade consideração especial por ele e por todos da equipe.

No dia 27 de março deste ano o Tcheatro do Bebé foi homenageado na Câmara de Vereadores pela passagem do Dia do Circo, a sessão solene, solicitada pela Vereadora Denise Marques, homenageou ainda diversos outros artistas locais pela contribuição cultural deixada por suas atividades. Ainda dentro deste assunto José Ricardo comentou sobre a necessidade da preservação de todas as formas artísticas, principalmente teatros e circos que estão ficando esquecidos e perdendo gradativamente seus espaços em virtude da evolução e informatização de nossa sociedade.

O estilo de vida nômade é perfeitamente normal para quem ganha o sustendo levando alegria a uma grande quantidade de pessoas e a família Benvenuto cresceu conhecendo diversas regiões e vivendo dessa forma, entretanto cada um começa a seguir seu caminho. Por possuir na sua grande maioria filhas, estas quando casaram acabaram naturalmente afastando-se do teatro e adotando outra forma de viver e cuidar da família e dentro deste contexto os pequenos netos são a aposta e esperança de José Ricardo para a continuidade da tradição e história do Tcheatro do Bebé. “Eu tenho vários netos e uma delas, inclusive, invadiu o espetáculo e chegou a chorar quando a tiramos do palco. Os expectadores na hora riram e adoraram então isso é uma coisa que já vem no sangue.”, disse ele orgulhosamente.  Atualmente trabalham no palco cerca de doze pessoas que são auxiliadas por amigos da cidade que, além de pagarem o ingresso, contribuem ainda nas funções de bilheteiros e até mesmo como vendedores de pipoca.

Ao ser questionado sobre como se dá a elaboração e ensaio das peças José Ricardo contou que quanto a isso não existe um cronograma, pois por já se serem esquetes conhecidas o que geralmente é feito são pequenas alterações nas falas e na trilha sonora, buscando seguir a evolução do que acontece no dia-a-dia, dando assim mais originalidade a elas. “Falta a mim paciência para ensinar, mas quem sabe no final de carreira eu me pegue a ensaiar e me tornar diretor de teatro (risos)”, concluiu ele.

Ao final a pergunta mais esperada, o que significava para ele o palco a nossa frente? A resposta emocionada fazia uma comparação com a vida, ali estava toda uma trajetória construída na base do amor e do respeito pela arte, o palco é sem dúvida nenhuma seu oxigênio!

Os Riograndinos podem contar com a alegria do teatro por mais algumas semanas, a equipe tem ainda a intenção de montar a estrutura na Avenida Argentina, local que segundo eles atrai um bom público. A realização de uma temporada em São José do Norte ainda depende de algumas condições, que passam pela cedência, por parte da Prefeitura, de um bom espaço para a instalação dos equipamentos e a contribuição climática em virtude da proximidade do inverno e das baixas temperaturas.

Diariamente às 20h30min os espetáculos são apresentados e os ingressos podem ser adquiridos diretamente na bilheteria, ao preço de R$ 15,00, no dia da apresentação.

Gostaríamos de agradecer a família Benvenuto pela oportunidade de conhecermos um pouco desta brilhante história, desejamos a todos muito sucesso e que possamos sempre contar com a alegria e simpatia do palhaço Bebé!

José Ricardo em meio a família, destaque para os netos apaixonados pela magia do palco.

José Ricardo pintou cenários e auxiliou na organização dos espetáculos enquanto era novo e não poderia interpretar certos papeis e personagens.


Fatal error: Uncaught Exception: 12: REST API is deprecated for versions v2.1 and higher (12) thrown in /home/joses963/public_html/papareianews.com/wp-content/plugins/seo-facebook-comments/facebook/base_facebook.php on line 1044