nov 172013
 

Matéria: Nicole Soares

Fotos: Arquivo pessoal Rosane Alves

nicole@papareianews.com

Rosane decidiu se tornar professora após uma palestra que assistiu na Universidade Federal do Rio Grande (FURG) na época em que prestaria vestibular

É assim que Rosane Alves Rodrigues define o poder do educador. Professora há 21 anos, Rosane é declaradamente amante de sua profissão. Atualmente é vice-diretora da Escola Estadual de Ensino Médio Mascarenhas de Moraes, além de lecionar também na Escola Municipal de Ensino Fundamental Mate Amargo. Rosane desenvolve um trabalho diferenciado com seus alunos, focado principalmente em evitar o uso de drogas e álcool. Uma de suas propostas é a produção de vídeos voltados para este tema, trabalho que vem sendo reconhecido pelo Festival de Vídeo Estudantil e Mostra de Cinema Guaíba/RS, que selecionou pelo segundo ano consecutivo alguns dos vídeos enviados por ela. Além da agitada e gratificante carreira, Rosane é casada e mãe de três filhos, e conta ao Papareia News como é a experiência de conciliar da melhor maneira possível todas estas obrigações.

Rosane decidiu se tornar professora após uma palestra que assistiu na Universidade Federal do Rio Grande (FURG) na época em que prestaria vestibular, mas relata que desde pequena já ensaiava a profissão, brincando de dar aula para suas bonecas. “Após assistir a palestra da professora Hilda Lontra na FURG, fiquei realmente apaixonada. Ela disse que no curso de Letras, lidaríamos com o ser humano e como era interessante lidar com sentimentos e emoções. Não tive mais dúvidas, escolheria Letras. E não me arrependo, até hoje carrego dentro de mim características das professoras que marcaram minha vida de forma positiva. O que eu aprovava nelas tento seguir”, diz.

Sobre a relação entre a vida profissional e a pessoal, já que também é mãe e esposa, Rosane explica que as duas se interligam de certa forma. “Desejo para meus alunos tudo o que desejo para meus filhos. Se quero ver meus filhos felizes e realizados, trabalho para que meus alunos também possam ser. Graças a Deus, meus filhos e meu marido são muito parceiros. Ajudam-me muito”, conta a professora. Ela também fala sobre a experiência de seus três filhos terem passado por sua sala de aula, salientando a importância de saber separar as coisas. “Já dei aula para meus três filhos. Nunca tive problema e sempre fui bem recebida nas turmas em que eles estudavam. Eles sempre souberam que na escola era lugar para assunto escolar e não familiar”, conclui.

“Desejo para meus alunos tudo o que desejo para meus filhos. Se quero ver meus filhos felizes e realizados, trabalho para que meus alunos também possam ser”

Quem acompanha os projetos de Rosane pode perceber que seu trabalho é focado principalmente em alertar os jovens sobre os perigos do uso de drogas e álcool. Ela salienta que é impossível garantir que seus alunos não se aproximem das drogas, mas que o diálogo aberto e franco é muito importante para que não existam tabus na sala de aula. “Respeito a opinião dos meus alunos, mas eles devem respeitar a minha. Diálogo franco aliado ao respeito sempre será a melhor maneira”, afirma. Uma de suas propostas é a produção de vídeos que tratem de temas relacionados ao uso de drogas e álcool. Conforme mencionado anteriormente, este trabalho lhe rendeu a classificação pelo segundo ano consecutivo no Festival de Vídeo Estudantil e Mostra de Cinema Guaíba/RS. “É uma honra ver os vídeos dos meus alunos selecionados. Ano passado, com os alunos do EJA (Educação de Jovens e Adultos), chegamos à final na categoria documentário e melhor uso do vídeo em sala de aula. Não ganhamos o troféu, mas com certeza ganhamos mais que isso, muito mais. Não há palavra que defina o que sentimos e o que ficou dessa experiência. Agora estamos na torcida pelos vídeos deste ano”, conta a professora.

Rosane não arrisca dizer que é realizada pessoal e profissionalmente. Segundo ela, considerar-se realizada significa concluir que não há mais nada a ser feito, por isso prefere dizer que está conseguindo alcançar seus sonhos pessoais e profissionais. Para finalizar, a professora faz uma breve análise sobre a educação no Estado e no País atualmente: “Penso que há muito tempo o professor vem sendo desvalorizado, desrespeitado. A sala de aula, muitas vezes, vira um lugar de medição de forças. O Brasil precisa de índices e nós precisamos de gente que queira, de fato, aprender. Aceito que meu aluno entre na sala de aula sem vontade de aprender, mas não permito que saia dela no mesmo estado. Se não aprender o conteúdo, que ao menos saiba o quanto é válido ter conhecimento. Mesmo com todas as dificuldades eu não permito que tirem minha vontade de educar, minha crença num futuro melhor e no poder da minha profissão. O que realmente importa é a vontade de acertar. É gostar do que faz, esse é o segredo.”.


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