jul 272013
 

Matéria: Rodrigo de Aguiar (Jornal Folha Gaúcha)

Fotos: José Silveira

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A artesã atua com este tipo de trabalho há quase 30 anos

De professora de educação física a artesã premiada! Que tipo de ligação uma profissão pode ter com a outra? Há quem diga que nenhuma, mas sempre aprendemos, nem que seja um pouco, com o que pode haver de mais improvável.

Peças construídas com escamas de peixe, vidros pintados à mão livre e pintura em porcelanato: este é o trabalho da rio-grandina Neiva Gonçalves, com quem conversamos.

Neiva nos recebeu em seu ateliê, no bairro Lar Gaúcho, onde ministra aulas dessas técnicas que, ao vivo, impressionam, seja pela perfeição ou pela dedicação com que são preparadas.

Papareia News: Quando surgiu este talento?

Neiva Gonçalves: Na verdade é um dom que veio desde que nasci, mas comecei a trabalhar com ele há quase 30 anos. No início, como atuava como professora, fazia minhas peças para ocupar aquele tempo ocioso e hoje, estando aposentada, se tornou meu segundo projeto de vida.

PN: E o trabalho com as escamas de peixe é desenvolvido há quanto tempo?

NG: Bom, esta é uma modalidade que comecei a desenvolver em abril de 2012, mas é um pouco difícil encontrar esta matéria prima, pois ela vem de fora do país e o animal encontra-se também em extinção. As escamas quando chegas são lavadas uma a uma, ficam uma semana dentro de um balde com água e, logo após, sãs secas na sombra, o que permite esta rigidez que podemos perceber.

Quando senta para confeccioná-los, Neiva os faz com muito amor e satisfação

PN: Além deste trabalho com escamas, existem ainda os vidros pintados e os pratos em porcelana. Conte-nos um pouco sobre eles.

NG: A produção de peças é muito diversificada, por exemplo, produzo também pinturas em copos e taças, o que permite que kits de mesa possam ser confeccionados por completo. Mas voltando à pergunta, possuo uma paixão por vidros por conta do poder de reutilização que eles possuem. A maioria das garrafas e potes que encontramos aqui são derivados de procedimentos de reciclagem, claro que todos sofrem um procedimento de limpeza, o que garante a total possibilidade de utilização nos mais variados fins. Os copos, principalmente, são adquiridos novos, apenas os demais é que são oriundos de lixo limpo. Os pratos de porcelana também contam com a minha total admiração. Quando sento para confeccioná-los, faço com muito amor e satisfação.

PN: Por acaso a senhora já expôs este trabalho em alguma feira ou evento voltado para este setor?

NG: Sim, sim, inclusive venho de uma participação na FEARG/FECIS. Atualmente não costumo participar, mas anos atrás levei meus trabalhos a vários lugares e pude, através deles, conhecer diversas pessoas ligadas a esse ramo, o que me trouxe mais experiência para a realização das peças. Com um deles, o “Mar, Vida e Natureza”, fui premiada em Montevidéu e ganhei simultaneamente um prêmio de reconhecimento vindo da China, algo que me deixou extremamente feliz. Tive a honra de ganhar outros prêmios em Gramado e Porto Alegre.

PN: Já que a senhora expôs na última edição da FEARG/FECIS, qual o balanço que pode ser feito da participação?

A professora aposentada apresentou seu trabalho na última edição da FEARG/FECIS   

NG: Olha, esta é minha segunda participação nas feiras, mas com relação aos 18 dias de exposição, foram ótimos! No que diz respeito às vendas, não posso dizer o mesmo. Mas devo caracterizar como bom, pois muitas pessoas apenas olhavam e elogiavam, poucos foram os que chegaram e adquiriram uma das peças que estavam à disposição dos visitantes.

PN: Quanto tempo, em média, leva para a confecção de um trabalho com escamas ou a pintura em vidros?

NG: Depende muito, uma rosa, que leva certa quantidade de escamas, pode ser feita em algumas horas, costumo fazer seis a cada dia. Já os vidros dependem, ainda, de um processo de secagem no forno, o que demanda um maior tempo para sua confecção.

PN: O que esta atividade representa na sua vida?

NG: Como atuei como professora durante 25 anos, sempre pensei em um projeto de vida para minha aposentadoria. Hoje em dia, o prazer de fazer o artesanato, mesmo que não venda o necessário, para mim funciona como uma terapia.

Com este trabalho, Neiva foi premiada em Montevideo

Momento em que ela confeccionava a pintura em um pote de vidro

 

 


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