set 172012
 

Matéria: Carlos Silveira;

Fotos: José Silveira.

carlos@papareianews.com

 

A Guerra dos Farrapos foi um conflito regional entre defensores da república na então Província de São Pedro do Rio Grande do Sul e o governo imperial brasileiro. Teve duração de 10 anos (20 de setembro de 1835 a 1º de março de 1845). A Revolução Farroupilha ocorreu devido ao descontentamento da política do governo imperial brasileiro; busca de uma maior autonomia para as províncias; altos impostos cobrados no comércio de couro e charque, tornando a concorrência desigual em relação aos países do Prata. A Revolução foi motivada pelas ideias de igualdade, humanidade e liberdade da Revolução Francesa e pelo conflito armado ocorrido na Província Cisplatina (hoje Uruguai) entre 1810 e 1820, de caráter separatista, liderado pelo General Artigas, que lutou contra as coroas portuguesa e espanhola. A Província Cisplatina pertencia ao Império Brasileiro. Apesar da derrota de Artigas no conflito, a independência do Uruguai veio em 1828, com o Tratado de Montevidéu.

 

Busto do General Artigas em Novo Hamburgo (RS) – Herói em duas nações

Busto de Bento Gonçalves na cidade de Mello no Uruguai – Herói em duas nações.

O Início:

 

Cipreste Farroupilha em Guaíba (RS) – Aqui Bento Gonçalves, juntamente com Gomes Jardim em 19 de setembro de 1835, organizaram a estratégia para a invasão de Porto Alegre no dia seguinte.

 

Casa de Gomes Jardim (primo de Bento Gonçalves) em Guaíba (RS) – Observar a visão privilegiada de Porto Alegre no lado oposto ao Lago Guaíba.

Foi à sombra deste cipreste, que em 19 de setembro de 1835,  Bento Gonçalves, Onofre Pires e Gomes Jardim traçaram os planos para a invasão de Porto Alegre no dia seguinte, dando início à Revolução Farroupilha. A árvore tornou-se símbolo oficial de Guaíba e do Rio Grande do Sul. No local encontram-se o busto e os restos mortais de Gomes Jardim.

Piratini – a 1ª capital Farroupilha:

Por sua localização estratégica, no alto da Serra do Sudeste, a vila foi escolhida para ser o centro de operações do movimento. Em 10 de setembro de 1836, o coronel Souza Neto venceu as tropas imperiais de Silva Tavares em Seival (arroio afluente do Rio Candiota, próximo à cidade de Bagé). No dia seguinte, o coronel Souza Neto proclamou a República Rio-Grandense. Dois meses após, a capital da recém criada República foi instalada na Vila de Piratini. Em 1838, Não tendo conseguido se apoderar de Pelotas e Rio Grande (a República necessitava de um porto para facilitar o comércio), os farrapos sentiram-se ameaçados em Piratini e, por isso, transferiram a sede de sua república para um local mais protegido, em Caçapava. Após a transferência da capital, Piratini iniciou uma fase de declínio, sendo inclusive retornada à categoria de vila através de Ato Provincial.

Ministério da Guerra e Interior (República Rio-Grandense ) Prédio construído em 1819. Atual Museu Histórico Farroupilha em Piratini – RS.

Palácio da República Rio-Grandense em Piratini (RS). Prédio construído em 1824.

 

Casa (1800) em que moraram Garibaldi e Rosseti em Piratini. Aqui funcionou o jornal “O Povo” durante a Revolução Farroupilha.

Caçapava do Sul – a 2ª capital Farroupilha:

De Caçapava, partiram algumas iniciativas importantes da Revolução Farroupilha, como a ordem de invadir Laguna, em Santa Catarina, onde se formou a República Juliana especialmente para dar um apoio marítimo  ao  movimento   separatista ,  pelo  fato  de  não  ter  sido   possível conquistar Rio Grande.

Como consequência, foi em Caçapava que Garibaldi decidiu construir os lanchões com os quais os farrapos seguiram para o Estado vizinho através da Lagoa dos Patos, por terra entre Palmares do Sul e Tramandaí e, dali em diante, por mar. Talvez a aventura mais épica da história do Brasil.

Entre outros acontecimentos importantes ocorridos na época, está a reunião do Conselho de Procuradores da República, durante a qual foi redigida a lei que regulamentava a eleição dos constituintes e legisladores que ocorreu posteriormente em Alegrete, a terceira capital da República.

 

Casa dos Ministerios durante a Revolucao Farroupilha, em Cacapava do Sul (RS).

Alegrete, a 3ª capital farroupilha :

Em Alegrete foi concluída e aprovada a Constituição da República Rio-Grandense em 1843. Até junho de 1843, Alegrete permaneceu como capital da República Rio-grandense. Depois que o Barão de Caxias forçou a mudança da Capital da Vila de Alegrete, os republicanos não tiveram outra alternativa senão transformar a capital num órgão itinerante. A capital passou pelas vilas de São Gabriel e de Bagé e rodou muito até que a paz fosse assinada a paz em Ponche Verde, a 01 de março de 1845.

 

Homenagem ao centenário da Revolução Farroupilha na Prefeitura Municipal de Alegrete (RS) – a 3ª Capital Farroupilha

 

REPÚBLICA JULIANA

República Juliana, também conhecida como República Catarinense, foi um estado republicano proclamado dentro do território do atual estado de Santa Catarina, em 24 de julho de 1839, e que perdurou até 15 de novembro do mesmo ano. Foi uma extensão da Revolução Farroupilha, iniciada na província vizinha do Rio Grande do Sul, onde havia sido proclamada a República Rio-Grandense. A República Juliana, proclamada por Davi Canabarro e Giuseppe Garibaldi, formou uma confederação com a república vizinha, porém, sem condições de expandir-se pela província de Santa Catarina, não conquistando a Ilha de Nossa Senhora do Desterro, sede provincial do governo imperial, em novembro do mesmo ano – quatro meses após sua fundação, propiciaram-se condições para que as forças do Império retomassem Laguna, cidade-sede do governo republicano. No planalto, Lages aderiu à revolução, mas submeteu-se no começo de 1840.

 

Prédio onde foi instalada a República Juliana em Laguna (SC). Hoje, o prédio abriga o Museu Anita Garibaldi.

Monumento em homenagem a Anita Garibaldi em Laguna (SC)

 

Monumento em homenagem a Garibaldi em Laguna (SC)

 

Casa onde nasceu Anita Garibaldi em Laguna (SC)

 Tratado do Ponche Verde :

O Tratado de Poncho Verde foi um acordo que pôs fim à Revolução Farroupilha, voltando o território litigante a fazer parte do Império do Brasil, de D. Pedro II. Foi assinado pelo Barão de Caxias (Duque de Caxias) e pelo General David Canabarro em 1° de março de 1845, quando foi anunciada a paz. Ponche Verde está localizado na zona rural de Dom Pedrito. Os parágrafos acordados foram os seguintes :

Art. 1° – Fica nomeado Presidente da Província o indivíduo que for indicado pelos republicanos.

Art. 2° – Pleno e inteiro esquecimento de todos os atos praticados pelos republicanos durante a luta, sem ser, em nenhum caso, permitida a instauração de processos contra eles, nem mesmo para reivindicação de interesses privados.

Art. 3° – Dar-se-á pronta liberdade a todos os prisioneiros e serão estes, às custas do Governo Imperial, transportados ao seio de suas famílias, inclusive os que estejam como praça no Exército ou na Armada.

Art. 4° – Fica garantida a Dívida Pública, segundo o quadro que dela se apresente, em um prazo preventório.

Art. 5° – Serão revalidados os atos civis das autoridades republicanas, sempre que nestes se observem as leis vigentes.

Art. 6° – Serão revalidados os atos do Vigário Apostólico.

Art. 7° – Está garantida pelo Governo Imperial a liberdade dos escravos que tenham servido nas fileiras republicanas, ou nelas existam.

Art. 8° – Os oficiais republicanos não serão constrangidos a serviço militar algum; e quando, espontaneamente, queiram servir, serão admitidos em seus postos.

Art. 9° – Os soldados republicanos ficam dispensados do recrutamento.

Art. 10° – Só os Generais deixam de ser admitidos em seus postos, porém, em tudo mais, gozarão da imunidade concedida aos oficiais.

Art. 11° – O direito de propriedade é garantido em toda plenitude.

Art. 12° – Ficam perdoados os desertores do Exército Imperial.

Monumento da Paz – interior de Dom Pedrito (RS) – Foi construído no centenário do final da Revolução Farroupilha (1945) na localidade de Ponche Verde, onde foi assinado o tratado de paz. O monumento fica no interior de uma propriedade rural. É muito difícil encontrá-lo.

Monumento da Paz em Dom Pedrito (RS) – Brasão da República Rio-Grandense

 

Monumento da Paz em Ponche Verde (interior de Dom Pedrito) – Brasão do Império Brasileiro

PRINCIPAIS BATALHAS:

Combate da Ponte da Azenha

O Combate da Ponte da Azenha foi o movimento bélico inicial da Revolução Farroupilha. Ocorrido na noite de 19 para 20 de setembro de 1835 marcou a tomada de Porto Alegre pelos farroupilhas. A Ponte da Azenha estava guardada por uma patrulha militar do governo provincial com duzentos homens a cavalo, chefiados pelo Visconde de Camamu, previamente avisados que poderia ocorrer o movimento. As forças revolucionárias contavam com trinta homens a cavalo naquele momento naquele local. Durante o combate, Cabo Rocha feriu a coxa de Camamu, que fugiu a pé para a sede do governo e a resistência à entrada dos farroupilhas se desfez.

 

Batalha do Seival

Com o objetivo original de derrubar o presidente da província, apenas, os revoltosos gaúchos enfrentaram as tropas imperiais. Destacado por Bento Gonçalves, o coronel Neto deslocou-se, no início de setembro de 1836, à região de Bagé, onde encontrava-se o comandante imperial João da Silva Tavares, vindo do Uruguai. A primeira brigada de Neto, com 400 homens, atravessou o arroio Seival e encontrou as tropas de Silva Tavares sobre uma coxilha, com 560 homens. Durante a tarde de 10 de setembro de 1836, Silva Tavares avançou sobre a coxilha, e os revoltosos defenderam-se usando lanças e espadas.

Inicialmente houve pequena vantagem das forças imperiais, mas o cavalo de Silva Tavares, com o freio rebentado na peleia, disparou em velocidade, causando a impressão de fuga, mesmo entre seus comandados. A confusão entre eles foi aproveitada pelos cavaleiros de Neto, que atacaram com força redobrada. O resultado deste mal-entendido foi ficarem os revoltosos quase intactos, enquanto houve 180 mortos, 63 feridos e 100 prisioneiros do lado dos imperiais. Entre os prisioneiros estava João Frederico Caldwell.

 

Batalha de Fanfa

Ao tomar conhecimento da proclamação da República Rio-Grandense, na Batalha do Seival, as forças de Bento Gonçalves levantam o sítio que infligiam à cidade de Porto Alegre, e passam a deslocar-se, beirando o rio Jacuí, para junção com as forças de Neto. Devido à época de cheias, era necessário atravessar o rio na ilha de Fanfa, no atual município de Triunfo.

As tropas imperiais, sob o comando de Bento Manuel Ribeiro, deslocam-se a partir de Triunfo, de modo a impedir a passagem dos farroupilhas. Araújo Ribeiro, alertado por Bento Manuel, envia a marinha, comandada pelo mercenário inglês John Grenfell. Assim, 18 barcos de guerra, escunas e canhoneiras foram postos a guardar o lado sul da ilha. Os barcos só foram percebidos pelos farrapos depois de estarem na ilha.

Em 3 de Outubro de 1836, as forças imperiais fecham o cerco por terra. As forças farroupilhas resistem, sabedores da proximidade de tropas lideradas por Crescêncio de Carvalho. Repelem os marines que desembarcam na ilha pela costa sul e as tentativas de travessia pelo norte. Naquela noite, porém, negociam um acordo pelo qual os farrapos entregariam as armas, capitulariam e voltariam livres para suas casas.

Pela manhã do dia 4 de outubro era formalizada a capitulação. Muitos revoltosos jogaram suas armas no rio, ao invés de entregá-las aos imperiais. No momento em que confraternizavam as tropas, chega Araújo Ribeiro, em pessoa, trazido por John Grenfell. Imediatamente ordena a prisão dos farrapos, desprevenidos e desarmados, não aceitando o acordo. Bento Manuel colabora com a captura. Entre outros, Bento Gonçalves, Tito Lívio Zambeccari, Pedro Boticário, José de Almeida Corte Real, Onofre Pires e José Calvet são presos. Por esse motivo, além de ser conhecido como a derrota do Fanfa, o episódio é também chamado de traição do Fanfa.

 

Batalha de Porongos

Em novembro de 1844, a revolução encontrava-se em pleno armistício, e seu fim já começava a ser negociado entre os líderes de ambos os lados. Os lanceiros negros estavam acampados no cerro de Porongos sob comando do general David Canabarro, quando foram atacados de surpresa por forças sob o comando de Francisco Pedro de Abreu, o Moringue. O Corpo de Lanceiros Negros, cerca de 100 homens de mãos livres, tentou resistir ao ataque, mas foram quase todos mortos. Também foram presos mais de 300 republicanos, entre brancos e negros, e 35 oficiais farroupilhas.

Teixeira Nunes, principal líder dos lanceiros negros, foi ferido durante o confronto e, logo após, sem condições de defender-se, foi morto por Manduca Rodrigues, que lutava pelos imperiais.

 

Local onde o Barão de Caxias se instalou para mediar a paz na Guerra dos Farrapos – Pedro Osório –RS

Estância do Sobrado em São Lourenço do Sul – pertenceu inicialmente a José da Costa Santos e sua esposa Anna Joaquina Gonçalves da Silva Santos (irmã de Bento Gonçalves). O Sobrado serviu diversas vezes de local de reuniões para Bento Gonçalves e seus comandantes. O local também foi utilizado por Garibaldi para conserto dos barcos após os combates na Lagoa dos Patos.

 

Museu do Parque Bento Gonçalves em Cristal (RS) – Estância do Cristal – A casa é uma réplica da utilizada por Bento Gonçalves.

Estância da Figueira em Camaquã (RS) – Propriedade onde viveu Dona Antônia, irmã de Bento Gonçalves. Durante dez anos serviu de Quartel General da Revolução Farroupilha.
No local, foram filmadas cenas do seriado “O Tempo e o Vento”, baseada na obra de Érico Veríssimo.
Casarão em estilo colonial português de 1795. O solar possui móveis e peças tradicionais, em meio a velhas figueiras.

 

Monumento-túmulo do General Canabarro em Santana do Livramento (RS)

Casa de Davi Canabarro em Santana do Livramento (RS)

 

Túmulo do General Netto no cemitério de Bagé (RS)

Monumento-túmulo do General Bento Gonçalves em Rio Grande (RS) – Quis o destino que os restos mortais do líder farroupilha fosse transladado para a cidade que sempre sonhou em conquistar devido ao porto marítimo. Os leões no monumento simbolizam a luta entre irmãos, onde não houve vencidos e vencedores.

 

Monumento onde foi encontrada uma trincheira farroupilha na periferia de Viamão (RS)

 


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