set 152013
 

Por: Rodrigo de Aguiar

Fotos: Arquivo pessoal do jornalista Rafael Machado

rodrigo@papareianews.com

O rio-grandino ingressou no curso de jornalismo em 2008, após a conclusão do ensino médio

O entrevistador na condição de entrevistado! Indiscutivelmente, estas posições se invertem no dia a dia do jornalista rio-grandino Rafael Machado, repórter da TV Record-RS. Formado pela Universidade Católica de Pelotas, o jovem ingressou na instituição no ano de 2008 e durante a realização do curso participou do laboratório de vídeo e da TV UCPel, adquirindo assim experiência para a atuação na vida profissional.

Ainda como estudante, Rafael foi apresentador e repórter dos programas Hora da Notícia e Revista Eletrônica, ambos produzidos pela TV UCPel, e em 2010 foi repórter do programa Tela Eletrônica, exibido pela FURG TV. Ainda em Rio Grande, ele atuou como repórter na TV Nativa, emissora afiliada da rede Record no município, até dezembro de 2011.

De lá para cá, Rafael passou a morar em Porto Alegre, onde trabalhou na TV PAMPA, afiliada Rede TV no estado, como apresentador do jornal da emissora e logo após retornou a para a Record, onde encontra-se até hoje. Por conta dessa trajetória, é com ele que daremos início ao nosso mais novo quadro: Papareia News Entrevista.

O trabalho de reportagem abrange também coberturas de operações policiais

Papareia News: Rafael, por que a escolha pelo jornalismo? Foi uma influência de família?

Rafael Machado: A escolha pelo jornalismo foi por acaso. Eu sempre gostei de televisão e desde pequeno tinha vontade de trabalhar no meio. Quando criança passava horas brincando com a filmadora que tinha lá em casa, gravando alguma coisa com meus irmãos. O tempo foi passando e, ainda na escola, surgiu o convite para apresentar um telejornal focado em assuntos para os estudantes. Foram quatro anos participando da produção do programa. Depois que me formei no Ensino Médio, não deu outra: escolhi o curso de jornalismo.

PN: Na tua opinião, qual a importância das mídias alternativas para a veiculação das informações? Elas são efetivamente necessárias ou acabam interferindo de forma direta no trabalho da mídia tradicional?

RM: O acesso à informação é livre e deve ser respeitado, sem censura. Eu acho que toda a forma de comunicação é bem-vinda. A mídia alternativa é mais uma maneira de espalhar a informação. Não atrapalha em nada, pelo contrário, só ajuda. Tanto a mídia “tradicional” como a “alternativa” desempenham um papel importante na sociedade atual.

PN: Dentre as reportagens que tivestes a oportunidade de produzir, qual a que mais marcou a tua vida profissional?

RM: Sem dúvida, a tragédia de Santa Maria foi a cobertura que mais marcou a minha vida profissional até agora. Eu ainda estou no inicio de um longo caminho e, durante esse percurso, vou ouvir e contar muitas histórias. Mas o incêndio na Boate Kiss nunca mais será esquecido. Trabalhar numa tragédia como essa é extremamente complicado e difícil. Foi um momento de amadurecimento profissional e pessoal.

PN: Londres é uma cidade que chama a atenção e desperta nas pessoas uma admiração em diversos aspectos. Como foi o período em que estivestes por lá e como surgiu a ideia de produzir a série de reportagens especiais?

“Pelas Ruas de Londres” foi a série produzida e veiculada recentemente no programa Rio Grande no Ar

RM: Fantástico. “Desbravar” a Europa foi muito interessante e enriquecedor. Tive a oportunidade de estar lá em dois momentos. Em 2010, morei 3 meses em Londres e conheci países como Escócia, Itália e Portugal. Nesse período produzi um documentário chamado “Conexão Europa”, mostrando as curiosidades de cada região. Posso dizer que foi o primeiro desafio que tive nessa vida de repórter. Mostrar diferentes culturas é interessante, desperta uma vontade de conhecer mais e mais. Só que ao mesmo tempo é complicado, tem que ter jogo de cintura para se comunicar e ser compreendido. Em maio deste ano retornei para Londres. Dessa vez foi uma experiência diferente. Fui com uma outra cabeça e com novas ideias. Essa segunda viagem resultou em outra série, com outra abordagem. Conheci brasileiros que vivem por lá e também mostrei como funciona o tráfico de drogas na cidade. Um trabalho que me motivou ainda mais a continuar desbravando esse mundo afora.

PN: Recentemente, quando a equipe de reportagem da Record ouvia os moradores de Novo Hamburgo, desabrigados pelas cheias, vocês acabaram sendo surpreendidos por funcionários da prefeitura do município, que acabaram sendo agressivos. Como foram aqueles minutos que se sucederam, afinal de contas a equipe estava lá para que as pessoas pudessem expressar seus sentimentos?

RM: Não gosto de comentar esse assunto, acho que ganhou repercussão demais. O objetivo era mostrar o drama das famílias que foram atingidas pelas cheias e, também, o trabalho dos funcionários da prefeitura para ajudar os desabrigados. Nossa equipe tinha autorização para estar lá, a produção marcou com a Defesa Civil. Estávamos ali cumprindo o nosso papel como imprensa e infelizmente fomos impossibilitados de continuar. A agressão gerou um boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia da cidade. A prefeitura divulgou uma nota se desculpando e, de minha parte, o caso está encerrado.

No estúdio do programa jornalístico Balanço Geral-RS, junto ao apresentador Alexandre Mota

PN: Como um bom rio-grandino, mas que por questões profissionais teve de deixar a cidade, de que maneira tu observas o desenvolvimento do município, frente a esta promissora realidade econômica?

RM: Rio Grande passa por um momento único. É a bola da vez. O município tem crescido muito, está no ranking das cidades mais ricas do estado. E esse ritmo não deve parar tão cedo. Os investimentos no setor do Polo Naval trouxeram uma série de possibilidades. A minha única preocupação é que todo esse desenvolvimento não seja aproveitado de forma correta. A cidade precisa entrar em sincronia para poder desfrutar essa fase de oportunidades. Para acelerar o bom desenvolvimento, é preciso investir ainda mais em qualificação de mão-de-obra e também em infraestrutura.

PN: Hoje em dia, quem opta por estudar jornalismo, precisa diariamente ir e voltar de Pelotas, por ser o município mais próximo a oferecer o curso e nas duas modalidades: privado e federal. Está na hora da instalação do curso em Rio Grande. Na FURG possuímos todo o aparato de comunicação, com TV e rádio. Na tua opinião, por que até hoje não encontramos o curso de jornalismo ao alcance dos rio-grandinos?

RM: Me faço essa pergunta até hoje. Já trabalhei na FURG TV, eles têm uma estrutura sensacional e bons profissionais. Também não consigo entender porque a instituição não possui um curso de jornalismo, mesmo com toda a estrutura necessária para criá-lo. Seria uma falta de professores? Duvido muito. Temos dois cursos de comunicação logo ao lado, na UCPEL e na UFPEL. Já ouvi que não seria vantajoso criar o curso em Rio Grande pela baixa procura, só que muitos estudantes vão até a cidade vizinha, Pelotas, para fazer Jornalismo. Acho que falta iniciativa por parte da diretoria da universidade

PN: Durante a cobertura da tragédia de Santa Maria, que assolou e ainda está viva na memória dos gaúchos e dos brasileiros, tu estivestes presente. Como foi viver diretamente aquele momento? Para a vida pessoal e profissional, o que se pode tirar de experiência?

Rafael ao vivo para o Fala Brasil, durante a cobertura da tragédia de Santa Maria

RM: Como eu disse anteriormente, foi uma experiência única. Viver diretamente aquele momento foi muito difícil. Era preciso deixar a emoção de lado e focar no trabalho, na missão de informar. E quem disse que é fácil separar a razão da emoção? Ou melhor… E quem disse que é preciso separar a razão da emoção? Temos sentimentos e ficamos abalados com a realidade dos fatos. Lembro que fui cobrir o velório de dois irmãos que morreram no incêndio. Eles tinham passado a semana inteira combinando de ir até a Kiss. E foram. O pai dos garotos estava visivelmente abalado. Todos os jornalistas foram conversar com ele, ouvi-lo. Eu fiquei um pouco mais, desliguei o microfone e conversei com aquele senhor. Encerrei com a seguinte frase: “Obrigado pela entrevista e desculpe pela entrevista.”. E completei com “meus sentimentos ao senhor e a família.”. O homem me olhou, com os olhos cheios de lágrimas, e me deu um abraço. Impossível não se emocionar e impossível não fazer uma cobertura verdadeira de uma tragédia sem sentir o que aquelas pessoas sentiam.

PN: Terias algum recado para deixar aos nossos leitores e, em especial, para aqueles que pretendem seguir a carreira de jornalista e assim manterem a missão de informar?

RM: Nunca desistam. Jornalismo é uma profissão apaixonante, mas cheia de desafios. E são esses desafios que fazem tudo valer a pena. A cada dia, descobrimos algo novo e aprendemos. Então, o meu recado é esse… Se você quer seguir a carreira de jornalista, tenha foco e determinação, sempre!

Rafael mantém também um site na internet. Interessados podem acessar clicando aqui.


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