ago 032013
 

Matéria: Rodrigo de Aguiar (Jornal Folha Gaúcha)

Fotos: Rio Grande Mineração

rodrigo@papareianews.com

O município de São José do Norte, assim como a região sul do Estado, vem experimentando as oportunidades de crescimento econômico proporcionadas pela instalação da indústria naval. A pequena cidade, vizinha de Rio Grande, em breve contará com um estaleiro, que irá mudar o panorama local, e a construção da Plataforma P-74 colocará a “muy heroica villa” em destaque no cenário nacional.

Mas não só pela indústria naval São José do Norte será beneficiada. Com um projeto grandioso e totalmente voltado para a preservação do meio ambiente, o município se tornará um grande exportador, a partir da exploração de minério.

Este é um projeto baseado na retomada de estudos que já existem desde a década de 90

Segundo o presidente da empresa Rio Grande Mineração S.A., Luiz Bizzi, este é um projeto baseado na retomada de estudos que já existem desde a década de 90. Durante este período, diversas empresas do porte de Rio Tinto e Paranapanema realizaram sondagens e conceberam projetos na região, que acabaram não saindo do papel.

Com base neste potencial e na grande quantidade de pesquisas feitas, a Rio Grande Mineração adquiriu os dados e direitos obtidos pelos proprietários anteriores e fez sondagens e levantamentos próprios que comprovaram o potencial e a boa qualidade do minério.

O empreendimento está agora em fase final de licenciamento e prevê a abertura de uma mina a céu aberto para exploração de minérios de Titânio (ilmenita e rutilo, com aplicações na produção de pigmentos, aços e ligas especiais) e Zircônio (zirconita, com aplicações na produção de cerâmicas e refratários) para atender aos mercados nacional e internacional.

Espera-se que os estudos técnicos ambientais em andamento desde 2011 conduzam a um Licenciamento Prévio em 2014 e, eventualmente, à implantação de uma primeira fase, com capacidade de produção anual de aproximadamente 300 mil toneladas de produto mineral. A primeira fase de produção começa em 2016 e os primeiros volumes serão exportados a partir de 2017.

Com a implantação da primeira fase, é prevista a geração de aproximadamente 325 empregos diretos e mais de R$70 milhões em impostos serão recolhidos anualmente à medida que se proceda a substituição de importações com vendas no mercado doméstico e à exportação de excedentes não absorvidos pelo mercado brasileiro.

A quantidade de minério conhecida permitiria a eventual implantação de uma segunda fase do Projeto, dobrando a capacidade de produção anual da primeira fase, mas tal ampliação dependeria de novo processo de licenciamento.

Os prazos de exploração são relativamente grandes. Na primeira fase, que compreende de São José do Norte ao Estreito, o tempo de exploração será de 23 anos e no segundo momento, do Estreito a Bujuru, em mais 22 anos.

O executivo da mineradora informou, ainda, que não almeja a produção de pigmento, o que ensejaria a implantação de planta de ácido sulfúrico e a produção de efluentes químicos, como era o caso no Projeto Bujuru.

A exportação de minério concentrado é mais sustentável porque impacta muito menos do que os projetos anteriores e consome menos energia.

A unidade de dragagem se deslocará ao longo da jazida e procederá à extração e processamento de minerais pesados (que incluem os produtos de Titânio e Zircônio) com reincorporação imediata dos minerais leves (dominantemente areias quartzosas) à área de lavra.

A polpa formada nas unidades de dragagem – composta por areia e água – será bombeada para a Planta de Concentração flutuante. Após recuperação dos minerais pesados (que compõem entre dois e três por cento do volume total) nas espirais, os minerais leves (principalmente areias quartzosas) e água serão bombeados de volta para reconformação topográfica do terreno.

A água na frente de lavra será obtida diretamente do lençol freático onde o minério está depositado e restituído juntamente com os minerais leves, sem que haja perda de água no processo.

O concentrado de minerais pesados será, então, processado em Planta de Tratamento, onde a separação dos minerais metálicos de interesse econômico se dará através de métodos eletromagnéticos e eletrostáticos, sem utilização de insumos químicos no processo.

A adoção de melhores práticas no manejo ambiental é fundamental para o sucesso do empreendimento. Para o início da lavra, solos e sedimentos superficiais são removidos e estocados até que seja atingido o lençol freático, criando-se um lago onde será instalada a unidade de dragagem.

Uma vez iniciada a exploração, a recomposição ambiental se dará imediatamente após a operação de dragagem, com o retorno dos solos e sedimentos superficiais extraídos e estocados à medida que a unidade de dragagem avança. As áreas de lavra serão entregues completamente tapadas e com as áreas verdes totalmente recuperadas à medida que a frente de lavra (que ocupa aproximadamente 300m X 1km) avança.

Com o início da produção, serão criados cerca de 325 postos de trabalho

Estima-se que, entre 2014 e 2017 haverá um grande fluxo de pessoas na cidade e a mão de obra local será aproveitada. Durante o período de construção, haverá um aumento populacional de cerca de 1500 pessoas e, logo após, com o início da produção, serão criados cerca de 325 postos de trabalho.

A população nortense terá tratamento prioritário na ocupação dos postos de trabalho e não precisará se preocupar com a questão de capacitação profissional, pois, por se tratar de um trabalho diferenciado e com uso de técnicas e equipamentos especiais, a própria empresa oferecerá os cursos em um período aproximado de um ano, antes do início do pleno funcionamento no município.

No último dia 18, o presidente, Luiz Bizzi, esteve reunido na prefeitura de São José do Norte, junto ao prefeito Zeny Oliveira e empresários portugueses. O objetivo do encontro foi o de debater a instalação de uma possível unidade portuária na cidade, e a Rio Grande Mineração S.A. ofereceu sua demanda futura por serviços portuários para facilitar a viabilização da iniciativa.

A criação desta unidade portuária, na visão de Bizzi, ajudará a viabilizar a exportação do minério e colocará o município em destaque no setor econômico nacional.


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