jul 252012
 

Matéria: Rodrigo de Aguiar;

Fotos: José Silveira e Jéssica Falcão.

rodrigo@papareianews.com

A postagem de hoje começa com um questionamento ao nosso leitor: Você conhece e sabe o que aconteceu com o Aeroclube? Fomos até a sede da instituição e conversamos com três aero entusiastas que fazem com que esta paixão mantenha-se viva e que a arte de voar continue encantando e desafiando o homem. Quem nos recebeu para uma conversa foi o atual presidente do Aeroclube, Celso Corradi, um apaixonado por aviação que usa seu tempo de folga para contribuir na conservação do prédio e da história deste que é o terceiro do estado.

Iniciaremos este voo lá no final dos anos 30, mais precisamente em 1939, quando em uma sexta-feira de outono, no dia 27/04, foi fundado no município o Aeroclube Cidade do Rio Grande através de determinação da Marinha Brasileira que tinha a necessidade de formar pilotos. Portadora dos títulos de cidade mais antiga do estado e de ter o primeiro clube de futebol do Brasil, Rio Grande só não foi a primeira a ter um aeroclube por conta de uma semana, contou o presidente. Perdemos apenas para as cidades de Porto Alegre e Pelotas que tiveram suas instituições fundadas dias antes. A história da cidade com a aviação começou na Ilha do Terrapleno, atual base de helicópteros da Marinha, onde ficou durante 25 anos, mudando-se após este período para o local onde está até hoje. Ao  longo de sua trajetória, o aeroclube chegou a possuir 13 aviões em sua frota, um número que segundo os responsáveis é bem expressivo, tendo em vista a atividade desempenhada. Conforme o presidente Celso Corradi, na década de 40, no auge da Segunda Guerra Mundial, além das atividades normais, os aviões prestaram serviços de extrema relevância nacional, entre elas destaca-se a participação no patrulhamento do Oceano Atlântico Sul.

Após este primeiro momento, conhecemos um grande acervo de fotos que ilustrou toda essa narrativa feita pelo presidente. Em meio a tantas imagens, tivemos acesso ao que pode ser considerado o acontecimento mais triste da história do aeroclube em seus 73 anos de fundação, um acidente fatal que vitimou piloto e paraquedista, na praia do Cassino, há mais ou menos 30 anos. Por uma questão de respeito à família das vítimas foram apresentadas apenas às fotos que mostravam a aeronave destruída em meio a diversos curiosos na areia. Demais detalhes não foram fornecidos. Mas nem só de momentos tristes vive a história do aeroclube, também em meio a tantas imagens estava uma que representa um momento de orgulho para os amantes da aviação, um dos aviões da instituição participou em 1954 da Revoada do quarto Centenário da cidade de São Paulo, tendo sido premiado com o “Troféu Precisão de Voo”.

Existem hoje mais de 340 aeroclubes no país, instituições estas que são as responsáveis por formarem os pilotos que guiam os aviões das principais companhias aéreas. Ao longo de nossa conversa fomos informados que o nosso aeroclube formou alunos que hoje são pilotos e copilotos da TAM e da Gol, algo que para o presidente da escola é motivo de muita alegria. No entanto esta arte de formar pilotos está estagnada há mais de dez anos, o período de altos e baixos começou em 2002 quando o aeroporto precisou ser interditado para as obras de ampliação da pista e demais estruturas. O que fazer com um aeroclube sem pista para pouso e decolagem? Esta pergunta foi feita a nós por Celso e ilustra perfeitamente o porquê do abandono do local. O som das solitárias pombas no hangar não afugenta a alegria dos três sócios apaixonados por aviação que buscam no passado glorioso a inspiração para reverter à situação. “Até a semana passada não tínhamos cobertura, a colocação das telhas foi concluída a pouco” conta o Bombeiro Anderson Oliveira que durante suas folgas, juntamente com a esposa, ajuda a manter a estrutura e garantir que esta história não seja apagada. Já o Piloto agrícola e instrutor de voo Marcelo Mendonça olhava as imagens que estavam guardadas em uma gaveta da secretaria e debatia com o presidente as atuais normas da aviação. “Isso que vocês estão vendo fazemos todos os sábados, só falamos de avião, nossas esposas fazem parte da artilharia antiaérea, detestam o assunto. É uma paixão!” “Só entra por aquela porta quem está contaminado pelo vírus aerococos” brincou Corradi.

ESTRUTURA:

Durante as 2h que conversamos estávamos reunidos em uma sala que parecia ser uma área de lazer, mas gostaríamos de saber e conhecer mais. O primeiro local visitado foi ainda no primeiro piso, uma sala fechada que guarda diversos tesouros da atividade em Rio Grande, lá estão fotos e placas homenageando os pioneiros dessa arte. Ao perguntarmos sobre a destinação do espaço fomos informados que em breve a sala vazia abrigará o memorial do aeroclube, sendo que todas as imagens que tivemos acesso serão disponibilizadas de forma dinâmica para que a comunidade possa ter acesso à história do aeroclube.

A área externa também receberá uma atenção especial, segundo Anderson o traçado da pista de taxiamento será recuperado, o setor de abastecimento dos aviões, que sofreu durante muito tempo com o roubo de combustível, também será revitalizado. Já o hangar será pintado e tem como meta ficar parecido com a construção da época. “Quando o Celso começou a vir todos os finais de semana, há quatro anos atrás, essa pista estava virada em grama.” Finalizou Anderson antes de conhecermos as instalações do segundo piso. O hangar vazio conta várias histórias, uma delas é a do aposentado Alfredo Rodrigues. Hoje morando em Pelotas, Rodrigues comentou que aos 12 anos varreu todo o espaço junto com um amigo em troca de um passeio, mas sua mãe descobriu e acabou com a festa daquele jovem que agora se orgulha em ver o filho pilotando aviões e seguindo sua paixão.

No segundo pavimento encontramos a sala de aula, biblioteca, sala de “briefing”, alojamento, vestiário e secretaria. Na sala de aula podemos constatar mesas e cadeiras vazias, local que antigamente abrigava diversos alunos. A biblioteca necessita de reparos, os alojamentos ostentam móveis antigos que serão trocados e os vestiários reformados. Já a secretaria conta com um armário onde estão guardados os principais livros utilizados na formação dos pilotos. “É complicado, buscamos fazer o possível, utilizamos nossos próprios recursos, nossa meta é reativar tudo isto e proporcionar a comunidade uma escola com tecnologia e segurança” desabafa Anderson.  “A aviação é a minha vida, uma emoção sem tamanho, fazemos o que gostamos” completou Marcelo. Os dois finalizaram dizendo que a missão é deixar o espaço apropriado para a comemoração dos 75 anos em 2014.

FROTA:

A estrutura não estaria completa sem a principal ferramenta deste universo, o avião. Atualmente o aeroclube conta com duas aeronaves, uma delas de 1946 doada pelo Governo Federal em 2008 que foi totalmente reformada e apresenta seu revestimento externo em lona. Trata-se de um Paulistinha CAP-4, um monomotor de asa alta fabricado pela Companhia Aérea Paulista, por isso a sigla CAP. Segundo informações, ele é considerado um dos aviões treinadores de maior sucesso no país desde a década de 50, já tendo formado diversas gerações de aviadores. Possui acomodação para dois pilotos, trem de pouso fixo convencional e a impressionante hélice de madeira. Já o outro integrante dessa frota, o Cessna 182 Skylane, está em manutenção na cidade de Passo Fundo. Assim como o CAP-4, o Cessna também é um avião monomotor, porém mais espaçoso, conta com acomodações para quatro pessoas e foi fabricado pela Cessna com sede nos Estados Unidos. Sua estrutura é composta praticamente por liga de alumínio, no entanto algumas partes, como ponta das asas são feitas em fibra de vidro ou material termo-plástico.

Além da ação do tempo e da estagnação os atuais sócios enfrentam a pressão dos órgãos controladores que possuem a vontade de extinguirem as mais de 340 escolas por todo o país, mantendo apenas as cinco mais importantes. Se não bastasse, esbarram ainda em uma norma que diz que entre municípios com menos de 100 km de distância não podem ser mantidos dois aeroclubes, o que faz com que Rio Grande e Pelotas disputem o direito de sediar suas instituições. Segundo eles o primeiro que cair não terá chances de se reerguer. Junto a eles, esta equipe é formada pelo Vice-Presidente André, pelo responsável pela segurança operacional Sr. Roberto e pela tesoureira Marcela.

Antes de encerrarmos esta matéria é impossível não destacar a luta deste pessoal que não mede esforços para estar junto do que mais gostam, tiram de seus próprios bolsos os recursos necessários para manterem a história da aviação em Rio Grande de pé. O sentimento de amizade e de estar em família é muito claro e independente da idade de cada um o que manda ali mesmo é o gosto por aviação. Não podemos esquecer de mencionar também o belo espetáculo da natureza proporcionado pelo pôr do sol que trás através dos raios, que passam entre as fendas dos portões, a esperança de uma nova fase e a busca de um futuro promissor.

 


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